Primeira pessoa: mais entender as razões, menos criticar as escolhas

Lembro como se fosse ontem quando comentei na foto de uma amiga com a sobrinha dela: “tá bom de você fazer o seu hein!”. Finalizei a frase com um sorrisinho, pra dar aquele tom de brincadeira. E ela, me respondeu: “e por que você não vai fazer o seu também?”.
Ela já era casada a uns 8 anos e eu a uns 3.

Acho engraçado como algumas coisas são consideradas “padrão” pra sociedade.
As pessoas ainda estranham, olham torto e/ou fazem julgamentos quando algo vai contra o que se acredita ou não é como o “esperado”.

Li hoje, por exemplo, essa matéria da Marie Claire que conta o relato de uma leitora que “vendeu seus óvulos para viajar o mundo”.
Até o momento que eu li, o post tinha apenas 4 comentários e todos divergentes um dos outros: um falava que ela fez pelo dinheiro e ponto (o mais engraçado é que logo no titulo da matéria já diz isso, mas tudo bem), um outro cara falou que o “egoismo está acabando com a sociedade” e tô até agora tentando entender a conexão desse comentário dele com o assunto abordado (juro!) e a única mulher que comentou disse ter gostado da atitude da leitora.
Seja qual foi a razão da moça, uma coisa é certa: a decisão foi dela e ninguém tem nada a ver com isso.

Tem mulheres que não querem ser mães, como ela. Tenho amigas próximas que tomaram essa decisão e nem por isso elas são “menos mulheres”.
Tem mulheres que não querem engravidar. Preferem passar por um processo de adoção, por exemplo, do que passar pelo processo de gestação de uma criança.
Tem mulheres que não tem outra alternativa além dessa!
Tem as que não podem engravidar, por “n” razões.
Enfim. É um leque enorme de possibilidades e motivos que se pode ter em relação a um determinado assunto.

Sabe a minha amiga do inicio do post? Ela ficou grávida e teve um bebê.
Descobri, depois da gravidez dela, que ela tinha feito uma fertilização pra poder engravidar.
Lembro que fiquei surpresa ao saber. E hoje, acho até engraçada essa minha reação porque a gente tem aquela ideia pré-concebida de que qualquer pessoa pode ter um filho naturalmente quando, na verdade, é comum ter esse tipo de dificuldade.
É um “problema” mais normal do que se imagina e bem longe de ser sinônimo de uma coisa não saudável.
Hoje, vejo como a resposta ríspida dela fez total sentido.

As pessoas tem aquela mania chata de achar que todo mundo é igual e que o ciclo da vida alheia é o mesmo pra todos, tipo:
Fulana tá namorando. Quando será que a fulana vai casar?
Fulana casou. Nossa, quando será que ela vai ter filho?
Fulana teve filho. E quando será que ela vai ter o segundo?
E por aí vai.

Acho que não custa muito entender que as pessoas tem opiniões, vontades, razões, verdades, “tempos”, limitações diferentes uma das outras.
É só ter um pouco de disponibilidade e, principalmente, bom senso pra entender isso.

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Eu poderia me estender no assunto em um texto enorme, mas resolvi apenas compartilhar essa matéria e o meu ponto de vista da coisa por esse viés.
2015 tá aí na porta e acredito que pequenas atitudes podem deixar a vida mais leve.
Basta começar da gente.

Mais “se colocar no lugar do outro”, menos “apontar o dedo dedo na cara”.
Mais entender as razões, menos criticar as escolhas.
Mais compreensão, menos julgamento.

Fica aqui essa reflexão e esse dever diário pra gente exercitar no ano que vem.
Beijos e até lá!

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