Preparando o ninho

Existe um termo chamado “nesting” que, na tradução livre do inglês para português, significa aninhar.
Dizem que quando a mulher fica grávida, essa é uma tendência natural.
Preparar a casa, o ninho.
Mas, apesar da gestação em si ser uma exclusividade feminina, acredito que esse processo e sentimento pode ser compartilhado pelo casal.

Outro dia fomos numa reunião de “casais grávidos” na Casa Curumim, em que o tema era O Papel do Pai no processo da gravidez, parto e pós parto. E um dos participantes declarou que achava que os homens se sentiam coadjuvantes nessa jornada de gerar um filho.
Eu entendi o ponto de vista dele, porque – claro – se você pensar pelo lado óbvio e físico da coisa, não tem muito o que contestar. Mas se formos pensar por todo o outro lado, todos os outros prós que vem junto com essa jornada, dá pra concluir que esse processo não é só da mulher.
Acho que o sentimento de paternidade/maternidade começa bem antes de engravidar em si, para ambos, quando o desejo é mútuo.

Pregnant woman holding a bird's nest
Imagem: Getty

Pensando sobre esse tema, lembrei de um diálogo fofo que ouvi (e transcrevi) na novela Sete Vidas, aquela que passava à tarde na Globo, meses atrás. Numa das poucas oportunidades que tive de assistir a um episódio, me deparei com uma cena de Pedro e Tais, um casal recém grávido:

Pedro arrumando o quarto
Tais: Ué, o que deu em você?
Pedro: Deu que o bebê não pode dormir ao lado de uma prateleira cheia de ácaro de livro. Se a gente livrar aqui um pouquinho o espaço vai ficar bem melhor pra por o berço.
Tais: E onde que você vai botar essas caixas?
Pedro: No porão. Onde mais?
Tais: Você não acha meio radical colocar todo o seu material de trabalho e de consulta no porão?
Pedro: Não é época do mestrado. Tá tudo certo.
Tais: Eu sei, mas vai que você tem que fazer algum trabalho. E você adorava vir pra cá de madrugada, pra ficar lendo.
Pedro [sorrindo]: Olha, fica tranquila porque algo me diz que eu vou continuar vindo pra cá de madrugada. Só que em vez de vir atrás dos livros, eu vou vir atrás de mamadeira, de fralda…
Tais: É eu sei, mas é que eu não quero que você abra mão de um espaço que é seu, por causa do bebê.
Pedro: Olha quem tá falando. Olha quanto espaço você tá abrindo pra chegada dele [passando a mão na barriga dela]. E eu não posso abrir mão de um simples escritório, é isso mesmo? A coisa mais importante tá aqui ó, o resto a gente pensa depois. Tá?
Tais: Tá bom.

 

Acredito que a chegada de um filho é bem isso: é se ceder espaço pro novo, é adaptar-se à uma nova rotina, é estar aberto a novas experiências, é compartilhar a vida com um novo membro da família, é fazer o ninho.

Esse post foi só para compartilhar que, por aqui, estamos – os dois – que nem passarinhos: numa ansiedade só para começar a preparar o cantinho do Tomás. E, claro, à medida que as coisas forem tomando forma, eu mostro por aqui toda a arrumação.

Quem quiser ler mais a respeito desse tema, tem um texto super legal (em inglês) no Huffington Post.

Comentários

comentários

Um pensamento sobre “Preparando o ninho

  • 18 de julho de 2016 em 11:30
    Permalink

    Todos esperando o pequeno Tomás. ^^

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *