Nosso próprio olhar

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Fui ao salão e, como sempre, mostrei no celular uma imagem de referência do que eu queria fazer no cabelo.
Dessa vez não era só um corte, também decidi pintar. “Quero tirar esse ar de mãe cansada”, eu disse, “mas ó… é bem discreto. Só pra dar uma iluminada no rosto”.
Não sei se Pedro achou que as luzes eram poucas e que precisava, na verdade, de um farol pra dar vida de volta ao meu semblante, mas o fato é que o que era pra ser discreto, ficou bem mais chamativo do que eu tinha me programado a fazer.
Chorei? Não.
Me desesperei? Menos ainda.
Na verdade, no fundo, achei bom ter saído diferente do que eu esperava. Foi um passo além do que eu achava que poderia dar naquele momento.
Senti como se fosse um chacoalhão, me tirou daquela zona de conforto. E que bom perceber que, às vezes, as coisas saem diferente do que a gente imagina e que ok, tá tudo bem.
Dá medinho na hora ou pode gerar frustração, mas a gente se adapta, sobrevive e segue em frente.
E o que não é tudo isso se não o eterno aprendizado que eu tenho tido ao longo de todos esses meses falando mais alto?
Sim, a maternidade muda a gente. Muda a forma que a gente encara as coisas e nos mostra, de diferentes formas, que a gente nunca mais vai ser a mesma.
Mas que a forma que a gente passa a se enxergar, só depende do nosso próprio olhar.

Reencontrando a antiga “eu”

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Parece ser só um brincão, mas pra mim significa reencontrar com a Narda pré-maternidade.
Não que eu tenha deixado meu estilo de lado, mas é inegável o quanto ele muda quando nos tornamos mães.
A gente fica mais prática, se adapta à nova rotina. Na maioria das vezes, a camiseta vira camisa. O brincão vira uma argolinha minúscula. O salto, pra quem usa, vira uma sapatilha (pra mim, tênis… mas esse nunca saiu do pé).
A verdade é que a gente já muda tanta coisa, se transforma em tantos aspectos, que esse encontro com nós mesmas deveria ser mais frequente. Ou nunca deveria deixar de existir.
Tem que amamentar? Levanta a blusa! O bebê vai puxar o brinco ou o colar? E daí? O batom marcante vai borrar porque, em algum momento, ele vai passar a mão na sua boca? É só limpar. Comigo tem sido mais assim, depois de meses tentando me encontrar nessa nova Narda.
Agora ela já me é mais familiar. Ainda não é totalmente como antes, mas sei que nunca vai ser novamente.
Cada dia é um exercício pra conhecer e me reconhecer nessa nova “eu”.
Agora eu sei que, mesmo que eu coloque aquele mesmo brincão, será nesse novo corpo… de alma, escolhas e olhares diferentes de antes.

Sobre escolher um berçário

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Escolhemos o berçário do Tomás meio no susto, sem muito tempo pra ponderar. Foram só dois dias de adaptação, pois na sequência eu já voltaria ao trabalho.
No primeiro dia eu fiquei o turno com ele e com as “tias”. Falava como era a rotina e os horários dele com lágrimas nos olhos, por saber que aquilo significava confiar os cuidados do meu filho à outra pessoa.
No outro dia acompanhei do lado de fora da sala. E quando ele chorou pra dormir a primeira vez sem mim, sem o peito pra mamar, eu chorei do outro lado da porta “sem poder” acalentá-lo, sem saber se conseguiriam faze-lo dormir.
Mas conseguiram. Ele dormiu sem mim. Ele ficou bem sem mim. E assim foi nesse pouco mais de um mês que ele frequentou esse berçário no período da tarde.
Hoje foi o último dia dele lá.
Segunda vamos pra um novo berçário, mais perto de casa.
Nunca pensei que seria tão difícil.
Talvez tomar a decisão de ter que fazer essa troca tenha sido mais difícil que a de escolher.
Com o mesmo coração miúdo que o deixei no primeiro dia, eu o busquei hoje no seu ultimo.
A tia chorou, nós (eu e marido) choramos. Ela porque ficará com saudade, nós em agradecimento. Pelo nosso filho ter sido muito bem cuidado lá, pela certeza de que ele recebeu um carinho enorme das cuidadoras e pela tristeza de ter que desfazer esse laço tão precocemente.
Meu coração ficou mais uma vez pequeno, mas, ao mesmo tempo, cheio… de gratidão! 💓