Volta ao trabalho

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Filho, enquanto te escrevo isso você mama adormecido no meu peito, como de costume. Mas hoje não foi um dia como outro qualquer, como os dos últimos sete meses em que meu peito foi seu alimento e alento, a hora que você quis.

Pela primeira vez ficamos muitas horas, mais do que eu gostaria, longe um do outro. Talvez te escrever isso seja uma forma de te pedir desculpas. Desculpa por não ter sido como planejei, como pensei ser uma maternagem ideal.

Aprendi durante esses meses vivendo inteiramente para e por você, que ser mãe é um eterno ajuste de expectativas e do que idealizamos. Gostaria muito de continuar o dia todo com você, vivendo a nossa pequena rotina de dias bons e outros nem tanto, sem data certa no calendário. Cada dia aprendendo e me surpreendendo com você.

Mas agora vamos ter uma nova rotina. Vamos, eu e você, continuar aprendendo, dessa vez a lidar com a saudade. Você a viver algumas longas horas longe da mamãe e a mamãe também, além da missão de reencontrar quem ela era antes de você. Mas saiba que, ainda assim, nada voltará a ser como antes. Eu nunca mais serei a mesma. Você me mudou completamente e por você eu busco sempre o melhor. Agora, mais do que nunca.

Com isso espero de alguma forma te ensinar, talvez, a sua primeira lição: é preciso tentar para conseguir. Vamos tentar sermos fortes para nos adaptar e conseguirmos ter êxito nessa nova fase. Só assim vamos ver se dá certo. E se não der, tudo bem. A gente dá um jeito. O importante é saber que tentamos.

E que, no fim do dia, teremos sempre um ao outro.

6 meses de amamentação exclusiva

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Não gosto de comemorar nada antes do tempo, mas é um misto de felicidade e alívio perceber que conseguimos.

Amanhã serão 6 meses que nutro exclusivamente meu filho. Que sou a sua fonte de alimento. Que ele depende totalmente de mim, nesse sentido.

Ao mesmo tempo que passou rápido, por vezes achei que esse marco nunca fosse chegar. Pensei em desistir várias vezes. Foi difícil abdicar da minha individualidade. Entender que eu precisava me doar inteiramente a ele, não só fisicamente.

Realizei o “ser” mãe, verbo e sujeito da palavra, aos poucos, com o passar dos meses. Me redescobri mulher nesse papel. E por mais que eu reflita sobre esses 183 dias em que o tenho nos meus braços, não tenho palavras pra dizer o quão grata a Deus eu sou por essa experiência, por esse presente. 🙏👶💞

 

Mãe mulher

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Nada na vida tinha me deixado mais em contato com o “ser mulher” do que isso.
Podemos sim fazer tudo igual aos homens e devemos lutar por esse reconhecimento, mas também não há nada de mal em celebrar o que nos diferencia e nos torna únicas.
Que a comemoração não seja só hoje e que a luta pelos nossos direitos seja diária.
O nosso dia é todo dia.