Sobre escolher um berçário

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Escolhemos o berçário do Tomás meio no susto, sem muito tempo pra ponderar. Foram só dois dias de adaptação, pois na sequência eu já voltaria ao trabalho.
No primeiro dia eu fiquei o turno com ele e com as “tias”. Falava como era a rotina e os horários dele com lágrimas nos olhos, por saber que aquilo significava confiar os cuidados do meu filho à outra pessoa.
No outro dia acompanhei do lado de fora da sala. E quando ele chorou pra dormir a primeira vez sem mim, sem o peito pra mamar, eu chorei do outro lado da porta “sem poder” acalentá-lo, sem saber se conseguiriam faze-lo dormir.
Mas conseguiram. Ele dormiu sem mim. Ele ficou bem sem mim. E assim foi nesse pouco mais de um mês que ele frequentou esse berçário no período da tarde.
Hoje foi o último dia dele lá.
Segunda vamos pra um novo berçário, mais perto de casa.
Nunca pensei que seria tão difícil.
Talvez tomar a decisão de ter que fazer essa troca tenha sido mais difícil que a de escolher.
Com o mesmo coração miúdo que o deixei no primeiro dia, eu o busquei hoje no seu ultimo.
A tia chorou, nós (eu e marido) choramos. Ela porque ficará com saudade, nós em agradecimento. Pelo nosso filho ter sido muito bem cuidado lá, pela certeza de que ele recebeu um carinho enorme das cuidadoras e pela tristeza de ter que desfazer esse laço tão precocemente.
Meu coração ficou mais uma vez pequeno, mas, ao mesmo tempo, cheio… de gratidão! 💓

Volta ao trabalho

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Filho, enquanto te escrevo isso você mama adormecido no meu peito, como de costume. Mas hoje não foi um dia como outro qualquer, como os dos últimos sete meses em que meu peito foi seu alimento e alento, a hora que você quis.

Pela primeira vez ficamos muitas horas, mais do que eu gostaria, longe um do outro. Talvez te escrever isso seja uma forma de te pedir desculpas. Desculpa por não ter sido como planejei, como pensei ser uma maternagem ideal.

Aprendi durante esses meses vivendo inteiramente para e por você, que ser mãe é um eterno ajuste de expectativas e do que idealizamos. Gostaria muito de continuar o dia todo com você, vivendo a nossa pequena rotina de dias bons e outros nem tanto, sem data certa no calendário. Cada dia aprendendo e me surpreendendo com você.

Mas agora vamos ter uma nova rotina. Vamos, eu e você, continuar aprendendo, dessa vez a lidar com a saudade. Você a viver algumas longas horas longe da mamãe e a mamãe também, além da missão de reencontrar quem ela era antes de você. Mas saiba que, ainda assim, nada voltará a ser como antes. Eu nunca mais serei a mesma. Você me mudou completamente e por você eu busco sempre o melhor. Agora, mais do que nunca.

Com isso espero de alguma forma te ensinar, talvez, a sua primeira lição: é preciso tentar para conseguir. Vamos tentar sermos fortes para nos adaptar e conseguirmos ter êxito nessa nova fase. Só assim vamos ver se dá certo. E se não der, tudo bem. A gente dá um jeito. O importante é saber que tentamos.

E que, no fim do dia, teremos sempre um ao outro.

6 meses de amamentação exclusiva

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Não gosto de comemorar nada antes do tempo, mas é um misto de felicidade e alívio perceber que conseguimos.

Amanhã serão 6 meses que nutro exclusivamente meu filho. Que sou a sua fonte de alimento. Que ele depende totalmente de mim, nesse sentido.

Ao mesmo tempo que passou rápido, por vezes achei que esse marco nunca fosse chegar. Pensei em desistir várias vezes. Foi difícil abdicar da minha individualidade. Entender que eu precisava me doar inteiramente a ele, não só fisicamente.

Realizei o “ser” mãe, verbo e sujeito da palavra, aos poucos, com o passar dos meses. Me redescobri mulher nesse papel. E por mais que eu reflita sobre esses 183 dias em que o tenho nos meus braços, não tenho palavras pra dizer o quão grata a Deus eu sou por essa experiência, por esse presente. 🙏👶💞